Sentindo-se sobrecarregado?

Eu decidi criar “O Dia” (veja no menu!) ao conversar com mães exaustas em minha prática clínica como pediatra.

Mas essa sensação de estar sobrecarregado não é exclusivo das mães. É algo que atinge praticamente todas as pessoas. O mundo moderno está cada vez mais complexo e exigindo muito de nós.

Ao pensar em como melhorar os seus dias, além da prática de Mindfulness (meditação, viver o momento, atenção plena…), pensar nas causas dessa sensação de sufoco é uma ótima forma de buscar leveza no seu dia-a-dia.

Esse tal de “estresse diário”

Uma quantidade excessiva de estresse é a principal razão pela qual muitas pessoas se sentem sobrecarregadas pela vida. O que sempre foi visto como “frescura”, na verdade, pode desencadear uma série de problemas de saúde mental, como ansiedade generalizada, ataques de pânico e depressão, além de distúrbios do sono, dores musculares, dores de cabeça, dor no peito, infecções frequentes, e distúrbios gástricos e intestinais, de acordo com a American Psychological Association (para não mencionar dezenas de estudos que apoiam a conexão entre estresse e problemas físicos).

Se seu corpo já está dando esses sinais de alerta, repense a sua rotina.

Muitas decisões diárias

A liberdade de escolha, algo reverenciado em sociedades livres, pode ter um ponto de negativo quando se trata de saúde mental. O psicólogo Barry Schwartz cunhou a frase “paradoxo da escolha”, que resume suas descobertas de que muitas escolhas levam a mais ansiedade, indecisão, paralisia e insatisfação. Mais escolhas podem proporcionar resultados objetivamente melhores, mas não o farão feliz.

Seja no mercado, onde existem tantas marcas e opções para cada produto que você nunca sabe se está fazendo a compra certa, seja na hora de se vestir, você está sempre tomando decisões. E isso gera um impacto no seu “cansaço mental” no final do dia.

Talvez seja por isso que Steve Jobs, Mark Zuckerberg, e até mesmo o presidente Obama limitaram suas opções de roupas para minimizar os sentimentos de sobrecarga de tomar decisões. Em um artigo de Michael Lewis para a Vanity Fair, o presidente explicou a lógica por trás de suas seleções limitadas de vestuário: “Você verá que eu só uso roupas cinzas ou azuis”, disse Obama. “Estou tentando diminuir as decisões. Não quero tomar decisões sobre o que estou comendo ou vestindo. Porque eu tenho muitas outras decisões para tomar”.

Coisas em excesso

Roupas que não usamos, brinquedos que nossos filhos não gostam, livros que ninguém lê e uma infinidade de aparelhos eletrônicos comprados, usados e guardados para sempre!

Junte a essa “tralha” nosso mundo digital, onde perdemos tempo com um fluxo constante de atualizações, artigos, posts em blogs e uma bisbilhotada básica na vida alheia.

Simplificar não é uma “modinha hipster”. Simplificar irá melhorar a sua vida.

Viés de negatividade

Dr. Rick Hanson, membro sênior do Greater Good Science Center da UC Berkeley, em um artigo em seu site diz: “Para manter nossos ancestrais vivos, a Mãe Natureza desenvolveu um cérebro que rotineiramente os enganou para que cometessem três erros: superestimar ameaças, subestimar oportunidades e subestimar recursos (para lidar com ameaças e realizar oportunidades)”.

Assim, evoluiu o “viés de negatividade“, nossa tendência a reagir a estímulos negativos mais intensamente do que positivos. Os estímulos negativos produzem mais atividade neural do que os positivos igualmente intensos. Eles também são percebidos mais fácil e rapidamente. Hanson diz, “O cérebro é como velcro para experiências negativas mas Teflon para experiências positivas”.

Sabendo que você está programado para pensar demais, se preocupar demais, exagerar os problemas e acreditar que em breve terá que “fugir”, você tem uma oportunidade para tentar analisar tudo mais friamente e não se deixar levar pelos seus sentimentos.

Aqui, a prática do Mindfulness é a chave!

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